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Monday, April 6, 2015

Machado de Assis e sua temática

"Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria."

Joaquim Maria Machado de Assis, nascido no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e também seu falecimento ocorreu no Rio em 29 de setembro de 1908. Foi um dos maiores escritores brasileiros e sem duvida considerado como o maior noma da literatura nacional. Machado de Assis escreveu praticamente em todos os generos literários, escrevendo poemas, romances, cronicas, drama, textos cientificos, folhetins, jornais, criticas literárias. Foi testemunha de grandes mudanças politicas no país quando a Republica substituiu o Império em meio disso foi um grande comentarista e relator dos eventos politicos sociais de sua época.
Nascino no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal cursou escolas publicas e não chegou a entrar na Universidade. Alguns especialistas em sua biografia relatam que era um apaixonado pela vida boemia e pela corte e lutou para conseguir subir socialmente e logo abastecendo-se de superioridade intelectual. Para conseguir tal feito assumiu diversos cargos publicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comercio e das Obras Públicasm e logo conseguiu precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e cronicas. Em sua maturidade reunido a seus colegas mais proximos, fundou e foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras.

Sua extensa carreira de sucesso constitui-se de nove romances e peças teatrais, uma coleção de 200 contos, cinco coletaneas de poemas e sonetos, um numero elevado de cronicas, mais de 600. Machado de Assis é considerado o introdutor do Realismo no Brasil, sendo o seu icone principal. Assumiu essa posição com a publicação de Memorias Póstumas de Brás Cubas em 1881. Este romance é colocado ao lado de todas as suas produções posteriores, Quincas Borba, Dom Casmurro, Esáu e Jacó e Memorial de Aires, ortodoxamente conhecidas como pertencentes a sua segunda fase, que ese notam os traços de pessimismo e ironia, embora suas obras ainda demonstrem resíduos romanticos. Nesse momento os criticos destacam que suas melhores obras são da Trilogia Realista. Sua primeira fase literaria é constituida de obras como Ressurreição, A mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia, onde notam-se caracteristicas herdadas do Romantismo, ou convencionalismo, como preferir a critica moderna.
Suas obras foram de fundamental importancia para as escolas literarias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse academico e publico. Machado de Assis influenciou grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e outros mais. Em sua vida, alcançou grande fama e prestigio pelo Brasil, contudo não chegou a desfrutar de sua popularidade exterior na época. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produções sem precendentes, 21 de modo que, recentemente, seu nome e sua pbra tem alcançado diversos criticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de grandes autores como Dante, Shakespeare e Camões.

As obras de Machado de Assis assume uma grande originalidade despreocupada com as modas literárias dominantes de seu tempo. Os academicos notaram cinco fundamentais enquadramentos em seus textos, como: Elementos Clássicos, Equilibrio, Consisão, Contenção Lirica e Expressinal. Na parte de resíduos romanticos encontram-se narrativas convencionais ao enredo, aproximações realistas como : atitude critica, objetividade, temas contemporaneos, procedimentos impressionistas como recriação do passado atraves da memoria, e antecipação moderna ( o alíptico e alusivo engajados a um tema que permite diversas leituras e interpretações )

Se, por um lado, os realistas que seguiam Flaubert esqueciam do narrador por detrás da objetividade narrativa, e os naturalistas, à exemplo de Zola, narravam todos os detalhes do enredo, Machado de Assis optou por abster-se de ambos os métodos para cultivar o fragmentário e interferir na narrativa com o objetivo de dialogar com o leitor, comentando seu próprio romance com filosofias, metalinguagens, intertextualidade. Em tom absolutamente não-enfático, neutro, sem retórica, as obras de ficção machadianas possuem na maior parte das vezes um humor reflexivo, ora amargo, ora divertido. De fato, uma de suas características mais apreciadas é a ironia, que os estudiosos consideram a "arma mais corrosiva da crítica machadiana". Num processo próximo ao do "impressionismo associativo", há de certo uma ruptura com a narrativa linear, de modo que as ações não seguem um fio lógico ou cronológico, mas que é relatado conforme surgem na memória das personagens ou do narrador. Sua mensagem artística se dá por meio de uma interrupção na narrativa para dialogar com o leitor sobre a própria escritura do romance, ou sobre o caráter de determinado personagem ou sobre qualquer outro tema universal, numa organização metalinguística que constituía seu principal interesse como autor.


Machado de Assis, como exímio intelectual e leitor, atribui a sua obra caráteres de arquétipos. Os irmãos Pedro e Paulo, em Esaú e Jacó, por exemplo, remontam ao arquétipo bíblico da rivalidade entre Esaú e Jacó, mas dessa vez personificando a nova República e a já "despedaçada" Monarquia, enquanto a psicose do ciúme de Bentinho em Dom Casmurro aproxima-se do drama Otelo de William Shakespeare. Os acadêmicos também notam a constante presença do pessimismo. Suas últimas obras de ficção assumem uma postura desencantada da vida, da sociedade, e do homem. Crê-se que não acreditava em nenhum valor de seu tempo e nem mesmo em algum outro valor e que o importante para ele seria desmascarar o cinismo e a hipocrisia política e social. O capítulo final de Memórias Póstumas de Brás Cubas é exemplo cabal do pessimismo que vigora na fase madura de Machado de Assis e do narrador morto:

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
— Memórias Póstumas de Brás Cubas, Capítulo CLX
Sua preocupação no psicologismo das personagens obrigavam-no a escrever numa narrativa lenta que não prejudicasse o menor detalhe para que este não comprometesse o quadro psicológico do enredo. Sua atenção desvia-se comumente do coletivo para ir à mente e à alma do ser humano — fator denominado "microrrealismo". Por conta destas características, Machado criou um estilo enxuto que os acadêmicos chamam de "quase britânico". Sua economia vocabular é rara na literatura brasileira, ainda mais se procurada em autores como Castro Alves, José de Alencar ou Rui Barbosa, que tendem ao uso imoderado do adjetivo e do advérbio. Embora enxuta, não era adepto de uma linguagem mecânica ou simétrica, e sim medida por seu ritmo interior.

Temática de Machado de Assis

A temática de Machado envolve desde o uso de citações referentes a eventos de sua época até os mais intricados conflitos da condição humana. É capaz de retratar desde relações implicitamente homossexuais e homoeróticas, como no conto "Pílades e Orestes", até temas mais complexos e explícitos como a escravidão sob o ponto de vista cínico do senhor de escravos, sempre criticando-o de forma oblíqua. Sobre a escravidão, Machado de Assis já havia tido uma experiência familiar, quer por seus avós paternos terem sido escravos, quer porque lia os jornais com anúncios de escravos fugitivos. Em seu tempo, a literatura que denunciava crenças etnocêntricas que posicionavam os negros no último grau da escala social era distorcida ou tolhida, de modo que este tema encontra uma grande expressividade na obra do autor. A começar, as Memórias Póstumas de Brás Cubas narra o que seria uma das páginas de ficção mais perturbadoras já escritas sobre a psicologia do escravismo: o negro liberto compra seu próprio escravo para tirar sua desforra.

Outras obras notáveis, como Memorial de Aires, ou a crônica Bons Dias! de maio de 1888, ou o conto "Pai Contra Mãe" (1905), expõem explicitamente as críticas à escravidão. Esta última é uma obra pós-escravidão, como podemos notar na frase de início: A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos [...] Um destes ofícios e aparelhos a que Machado refere-se é o ferro que prendia o pescoço e os pés dos escravos e a máscara de folha-de-flandres. O conto é ainda uma análise de como o fim da escravidão levara estes aparelhos para a extinção, mas não levou a miséria e a pobreza. Roberto Schwarz escreve que "se grande parte do trabalho era exercido pelo sescravos, restava aos homens livres trabalhos mal remunerados e instáveis." Schwarz nota que tal dificuldade dos homens livres, somada às relações dependentes que estes homens traçarão para sua sobrevivência, são grandes temas no romance machadiano. Para Machado, o trabalho acabaria com as diferenças impostas pela escravidão.

Castro Alves escrevia sobre a violência explícita a que os escravos estavam expostos, enquanto Machado de Assis escrevia as violências implícitas, como a dissimulação e a falsa camaradagem na relação senhor e escravo. Este mesmo caráter dissimulativo também é encontrado em sua ótica acerca da República e da Monarquia. Um de seus últimos romances, Esaú e Jacó, é considerado uma alegoria sobre as duas formas de governo e, principalmente, sobre a substituição de um pelo outro em território nacional. Numa das linhas da obra, os irmãos Paulo, republicano, e Pedro, monarquista, discutiam a proclamação da República; o primeiro, que admirava Deodoro da Fonseca, afirmava que Podia ter sido mais turbulento. enquanto Pedro afirmava: Um crime e um disparate, além de ingratidão; o imperador devia ter pegado os principais cabeças e mandá-los executar. (...) Ambos avultam o fato de o regime ter sido mudado por um golpe de estado, sem barricadas nem participação popular.

Outra temática notada pelos acadêmicos na obra machadiana é a filosofia que lhe é peculiar. Há em sua obra um constante questionamento sobre o homem na sociedade e sobre o homem diante de si próprio. O "Humanitismo", elaborado pelo filósofo Joaquim Borba dos Santos em Quincas Borba, constitui-se da ideia "do império da lei do mais forte, do mais rico e do mais esperto". Antonio Candido escreveu que a essência do pensamento machadiano é "a transformação do homem em objeto do homem, que é uma das maldições ligadas à falta de liberdade verdadeira, econômica e espiritual." Os críticos notam que o "Humanitismo" de Machado não passa de uma sátira ao positivismo de Auguste Comte e ao cientificismo do século XIX, bem como a teoria de Charles Darwin acerca da seleção natural. Seu Quincas Borba apresenta um conceito onde "a ascensão de um se faz a partir da anulação do outro" e que, em essência, constitui a vida inteira do personagem Rubião, que morre desagregado e crendo ser Napoleão. Desta forma, a teoria do "ao vencedor, as batatas" seria uma paródia à ciência da época de Machado; sua divulgação seria uma forma de desnudar ironicamente o caráter desumano e anti-ético do pensamento da "lei do mais forte".

Aos moldes do Naturalismo, Machado de Assis também retratava a sociedade de forma coletiva. Roberto Schwarz propôs que A Mão e a Luva, Helena, Iaiá Garcia e Ressurreição são romances sobre tradições, casamento, família ligadas ao homem e à mulher. A mulher tem papel fundamental no texto machadiano. Tanto em sua fase romântica, com Ressurreição, onde ele descreve o "gracioso busto" da personagem Lívia, até sua fase realista, onde nota-se uma fixação pelo olhar dúbio de Capitu em Dom Casmurro. Suas mulheres são "capazes de conduzir a ação, apesar do predomínio da trama romanesca não ter se esvaziado." As personagens femininas de Machado de Assis, ao contrário das mulheres de outros românticos — que faziam a heroína dependente de outras figuras e indisposta à ação principal na narrativa — são extremamente objetivas e possuem força de caráter: a já citada Lívia de Ressurreição é quem culmina no rompimento de seu caso com o personagem Félix e é da Guiomar de A Mão e a Luva de quem parte a procura por Luiz Alves, que satisfará suas ambições, assim como a heroína de Helena deixa-se morrer para não se passar como aventureira e, por fim, a Estela de Iaiá Garcia, que conduz a ação e promove o destino dos demais personagens.
 

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